sexta-feira, 6 de maio de 2011

Toma lá Finlândia

Notícia do jornal "O Sol".

Todos sabemos que a situação de Portugal é da nossa exclusiva responsabilidade. Também sabemos que a Finlândia, por razões puramente eleitoralistas, está a tentar impedir a ajuda a Portugal. Foi por isso que o presidente da Câmara de Cascais apresentou este vídeo. Esta é a notícia.

'O que os finlandeses não sabem sobre Portugal' foi o vídeo que o presidente da Câmara de Cascais inesperadamente apresentou no encerramento das Conferências do Estoril, onde estiveram presentes nomes como o prémio Nobel egípcio Mohamed ElBaradei, o jornalista norte americano Larry King, o economista, também norte-americano, Francis Fukuyama ou o antigo primeiro-ministro francês Dominique de Villepin.

Minutos antes da intervenção de ElBaradei, que encerrou as conferências, Carlos Carreiras queixava-se: «Por essa Europa fora, Portugal, o meu país, o nosso país, passou a ser tema de campanha eleitoral. Passou a ser verbo impresso em outdoors de eleições».

Dizia ainda Carreiras que «generalizam sobre nós mas não sabem quem somos».

Foi para inverter este desconhecimento, que apresentou este vídeo à audiência:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais um escândalo na EU

Eu até julguei que eramos todos funcionários da UE, fazemos parte da UE, e com o luxo que temos, estava a contar com uma reforma igual...

Ok, desçam das nuvens, acabou o intervalo...

A EUROPA VAI SER A RESPONSÁVEL PELA SUA PRÓPRIA MORTE...

Noruegueses, Finlandeses, Suecos, Franceses,....Portugueses!, todos a denunciar! e a exigir HONESTIDADE

Já reparou? Os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE ! E por quê?

Leia o que segue, pense bem e converse com os amigos. Envie isto para os europeus que conheça! Simplesmente, escandaloso,

Foi aprovada a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês. Sim, leu correctamente!

Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental ...), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha ..) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.

Porquê e quem paga isto?

Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro. A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os "Deuses do Olimpo!"

Devemos reagir por todos os meios começando por divulgar esta mensagem para todos os europeus. É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da União Europeia ....

Os tecnocratas europeus usufruem de verdadeiras reformas de nababos ... Mesmo os deputados nacionais que, no entanto, beneficiam do "Rolls" dos regimes especiais, não recebem um terço daquilo que eles embolsam. Vejamos! Giovanni Buttarelli, que ocupa o cargo de Supervisor Adjunto da Protecção de Dados, adquire depois de apenas 1 ano e 11 meses de serviço (em Novembro 2010), uma reforma de 1 515 ? / mês. O
equivalente daquilo que recebe em média, um assalariado francês do sector privado após uma carreira completa (40 anos)..


O seu colega, Peter Hustinx acaba de ver o seu contrato de cinco anos renovado. Após 10 anos, ele terá direito a cerca de ? 9 000 de pensão por mês.

É simples, ninguém lhes pede contas e eles decidiram aproveitar ao máximo. É como se para a sua reforma, lhes fosse passado um cheque em branco.

Além disso, muitos outros tecnocratas gozam desse privilégio:
1. Roger Grass, Secretário do Tribunal Europeu de Justiça, receberá ? 12 500 por mês de pensão.
2. Pernilla Lindh, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, ? 12 900 por mês.
3. Damaso Ruiz-Jarabo Colomer, advogado-geral, 14 000 ? / mês.

Consulte a lista em:

http://www.kdo-mailing.com/redirect.asp?numlien=1276&numnews=1356&numabonneXSSCleanedXSSCleanedXSSCleaned=62286


Para eles, é o jackpot. No cargo desde meados dos anos 1990, têm a certeza de validar uma carreira completa e, portanto, de obter o máximo: 70% do último salário. É difícil de acreditar ... Não só as suas pensões atingem os limites, mas basta-lhes apenas 15 anos e meio para validar uma carreira completa, enquanto para você, como para mim, é preciso matar-se com trabalho durante 40 anos, e em breve 41 anos. Confrontados com o colapso dos nossos sistemas de pensões, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos (em 2020), etc. Mas para eles, não há problema, a taxa plena é 15,5 anos... De quem estamos falando? Originalmente, estas reformas de nababos eram reservadas para os membros da Comissão Europeia e, ao longo dos anos, têm também sido
concedida a outros funcionários. Agora eles já são um exército inteiro a beneficiar delas:: juízes, magistrados, secretários, supervisores, mediadores, etc.

Mas o pior ainda, neste caso, é que eles nem sequer descontam para a sua grande reforma. Nem um cêntimo de euro, tudo é à custa do contribuinte ... Nós, contribuímos toda a nossa vida e, ao menor atraso no pagamento, é a sanção: avisos, multas, etc. Sem a mínima piedade. Eles, isentaram-se totalmente disso. Parece que
se está a delirar!

Esteja ciente, que até mesmo os juízes do Tribunal de Contas Europeu que, portanto, é suposto « verificarem se as despesas da UE são legais, feitas pelo menor custo e para o fim a que são destinadas », beneficiam do sistema e não pagam as quotas. E que dizer de todos os tecnocratas que não perdem nenhuma oportunidade de armarem em «gendarmes de Bruxelas» e continuam a dar lições de ortodoxia fiscal, quando têm ambas as mãos, até os cotovelos, no pote da compota?

Numa altura em que o futuro das nossas pensões está seriamente comprometido pela violência da crise económica e da brutalidade do choque demográfico, os funcionários europeus beneficiam, à nossa custa, da pensão de 12 500 a 14 000 ? / mês após somente 15 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações... É uma pura provocação!

O objectivo é alertar todos os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia. untos, podemos criar uma verdadeira onda de pressão.

Não há dúvida de que os tecnocratas europeus continuam a gozar à nossa custa e com total impunidade, essas pensões. Nós temos que levá-los a colocar os pés na terra.

«Sauvegarde Retraites» realizou um estudo rigoroso e muito documentado que prova por "A + B" a dimensão do escândalo. Já foi aproveitado pelos media.

http://www.lepoint.fr/actualites-economie/2009-05-19/revelations-les-retraites-en-or-des-hauts-fonctionnaires-europeens/916/0/344867

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Currículo Sócrates vs. Currículo Passos Coelho

Isto apareceu no site "partirococo.com". As perspectivas não são boas, melhor, são péssimas. Ora vejam:




terça-feira, 19 de abril de 2011

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA

por José Manuel Fernandes a Sexta-feira, 15 de Abril de 2011 às 12:28

O professor Álvaro Santos Pereira (Universidade de Vancouver, Canadá) colocou ontem no seu blogue "Desmitos" um post que é obrigatório ler para perceber o que devíamos estar a discutir na campanha eleitoral. Aqui fica a reprodução:

Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituida por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:

1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos

2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB

3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)

4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.

5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.

6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses

7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.

8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações

9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis

10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB

11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB

12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível

13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB

14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado

15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos

16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE

17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos

18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB

19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa

20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)

21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB

22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.

22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade

Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a questas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.

A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.

Álvaro Santos Pereira

quinta-feira, 24 de março de 2011

Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no "Jornal Económico"

Entrevista de Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no "Jornal Económico"

Uma vez, fui a um debate em Peniche , conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto” . Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis".

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira".

"Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada".

"Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas".
foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo".

"Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava- a no elevador, nunca falei com ela, “ bom dia Sra. Dr.ª.”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê".

"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate".

"A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.

Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam. Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos".

quarta-feira, 23 de março de 2011

O preço da verdade

O jornal Sol publicou um artigo de José António Saraiva acerca da orgia que existe entre a justiça e a política. Aqui está ele:

O preço da verdade

14 de Março, 2011 por José António Saraiva

O tribunal admitiu que o SOL não invadiu a vida privada de ninguém, mas manteve a condenação; como se dissesse: Se não prevaricaste por isto, pecaste por aquilo

Alguns leitores lembrar-se-ão de uma crónica que aqui publiquei há 15 meses sobre um processo que me foi aberto pelo Serviço de Reinserção Social.

Na sequência de um caso de alegada violação do segredo de Justiça por parte do SOL e de outros jornais e televisões, o tribunal notificou aquele serviço para tratar do meu caso. Convocaram-me, ouviram-me, fizeram-me perguntas várias - e no final, para meu espanto, disseram-me que tinham de ir ao meu prédio pedir aos vizinhos informações a meu respeito! Fiquei estupefacto. Se a preocupação com a minha correcta inserção social já me parecera insólita, a necessidade de colher informações junto da minha vizinhança parecia uma brincadeira. Por todas as razões - e porque há muitos anos que todos sabem onde vivo, onde trabalho, o que faço e até o que penso.

A publicação dessa crónica, que acabou por ter um impacto maior do que eu esperava, teve um efeito dissuasor. E o processo terá sido arquivado, porque nunca mais tive notícias dele e não me chegou ao conhecimento que qualquer vizinho tivesse sido interrogado.

Volto hoje à presença dos leitores com um caso judicial que me envolve - e é ainda mais surreal. Como todos se lembrarão, o SOL não respeitou em Fevereiro do ano passado uma providência cautelar interposta por um administrador da PT - providência cautelar essa que, para proteger a privacidade da pessoa em causa, proibia a publicação de escutas de conversas telefónicas em que tivesse participado.

Ora, num país que em tempos não muito distantes teve uma censura à imprensa durante 50 anos, aceitar um impedimento que significava na prática uma censura prévia constituía um precedente gravíssimo. A partir daí, todos os implicados no processo Face Oculta poderiam começar a interpor providências cautelares - e o SOL ficaria impedido de publicar notícias sobre o caso.

Além disso, as conversas em causa não tinham nada a ver com a vida privada: eram conversas em que os intervenientes falavam, na sua qualidade de gestores, sobre assuntos de manifesto interesse público. Por isso, os pressupostos da providência cautelar não se verificavam.

Foi isto mesmo, aliás, que a nossa advogada invocou, num recurso entretanto interposto. E ao qual o tribunal deu razão, reconhecendo que a matéria publicada pelo SOL não configurava uma invasão da privacidade. Mas, para defender a posição inicialmente tomada, o tribunal mudou os fundamentos da providência cautelar - passando a dizer que, embora não houvesse violação da vida privada, a publicação das escutas era ilegítima em si própria.

Foi como se dissesse: Se não prevaricaste por isto, pecaste por aquilo - e portanto és criminoso na mesma . E a condenação manteve-se.

O processo seguiu o seu curso, sem nunca ninguém me ouvir. Embora a providência cautelar obrigue o juiz a ouvir a outra parte, tal nunca foi feito. Mas a proibição de publicar escutas manteve-se, verificando-se esta situação aberrante: todos os outros jornais as publicavam, mas quando éramos nós a fazê-lo cometíamos um crime !

Além disso, penhoraram-me a casa onde vivo e parte substancial do meu (único) ordenado. E soube dessa notícia por um jornal - o que significa que outros a tiveram antes de mim.

Eu pensava que isto não fosse possível em nenhum país democrático - mas foi. Pensava que muito menos fosse possível num país da União Europeia - mas foi. Um director de um jornal ter a casa e o ordenado penhorados por notícias que se limitaram a dizer a verdade, que denunciaram um golpe de contornos obscuros, que não violaram a privacidade de ninguém. Uma pessoa ser condenada sem nunca ter sido ouvida! Dirá o juiz que a minha advogada interpôs recursos e por isso teve ocasião de se pronunciar. Mas será isso o mesmo que ouvir a pessoa que é acusada e depois penalizada?

Mas o caso não fica por aqui. Após as penhoras, a empresa proprietária do SOL, num gesto que pessoalmente me sensibilizou, fez uma caução em dinheiro no valor da totalidade da multa que podia ser-me aplicada (110 mil euros, mais 20 mil para custas). Ora, apesar desta caução, a Justiça manteve até hoje as penhoras.

A Justiça, que foi tão rápida a accionar o processo e a executar as penhoras, revelou-se tão lenta a substituir as penhoras pela caução. Porquê? Com que intenção?

A acentuar a sensação de injustiça que envolve todo este processo está a dita multa de 110 mil euros (e não falo aqui dos valores exigidos à empresa, que atingem números astronómicos).

Alguma vez se viu em Portugal uma pena destas (ou sequer próxima) na área da comunicação social? Nem noutras. Recordo que as vítimas do caso Casa Pia receberam uma indemnização de 50 mil euros por danos físicos e psicológicos gravíssimos que ficaram para toda a vida.

E que a família do agente da PSP que foi morto na semana passada vai receber 100 mil euros.

Perante tudo isto, é difícil dizer que não estamos perante um ataque político ao SOL e ao seu director.

Aliás, a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, que analisou o processo em pormenor, escreveu preto no branco: «Estas acusações [do Ministério Público] não são mais do que uma clara perseguição contra a redacção do SOL, à espera de que o semanário ceda mais tarde ou mais cedo à pressão económica ou judicial».

Perante a cumplicidade evidente de alguns responsáveis da Justiça portuguesa com o poder político, perante a passividade de outros, resta-nos apelar para a Justiça internacional.

E faço também um pedido aos meus leitores: dêem conhecimento deste caso aos vossos amigos e conhecidos. Não por mim. Mas porque ele ilustra bem o estado a que chegou a Justiça em Portugal, que permite monstruosidades como esta.

Em 25 anos à frente de jornais não fui condenado uma única vez. E agora colocam-me entre a espada e a parede - pelo facto de o meu jornal ter ousado denunciar a verdade.

É caso para dizer que hoje, em Portugal, a verdade tem um preço muito alto.

Entretanto temos o que temos. Um primeiro-ministro com um falso titulo universitário, as suspeitas que conhecemos no caso Freeport, o chefe dos juízes a mandar apagar as conversas incómodas no caso Face Oculta, ele é apartamentos comprados a cash, etc. Aqui neste blog conta-se um caso curioso com a mãe. Mas há algo curioso. Cada vez que pergunto, ninguém confessa ter votado nele mas a verdade é que ganhou as eleições. Agora têm vergonha de confessar. A ver se para a próxima têm mais juízo na hora de votar.

domingo, 20 de março de 2011

Aqui há onde poupar, se se quiser

Estudo do Economista Álvaro Santos Pereira, Professor da Simon Fraser University, no Canadá. *

Portugal tem hoje 349 Institutos Públicos, dos quais 111 não pertencem ao sector da Educação. Se descontarmos também os sectores da Saúde e da Segurança Social, restam ainda 45 Institutos com as mais diversas funções.

Há ainda a contabilizar perto de 600 organismos públicos, incluindo Direcções Gerais e Regionais, Observatórios, Fundos diversos, Governos Civis, etc.) cujas despesas podiam e deviam ser reduzidas, ou em alternativa – que parece ser mais sensato – os mesmos serem pura e simplesmente extintos.

Para se ter uma noção do despesismo do Estado, atentemos apenas nos supra-citados Institutos, com funções diversas, muitos dos quais nem se percebe bem para o que servem.

Veja-se então as transferências feitas em 2010 pelo governo socialista de Sócrates para estes organismos:



Mas depois onde é que punham os amigos ? Pois é.